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Distância.Com.Amor

quando as saudades aparecem,

por Patrícia, em 19.03.16

stars.jpg    Tantas são as perguntas que te tenho para fazer. Será que me ouves? Aposto que sim, ouves-me sempre.

    Começo por dizer que tenho saudades tuas. Já passou tanto tempo desde que estivemos juntos, desde que pegaste em mim ou me deste a mão. Na minha ingenuidade, julgava que as brincadeiras seriam eternas e que os sorrisos permaneceriam. Mas o que o outrora parecia tão certo, certamente se desvaneceu.

    O tempo atraiçoou-me. Partiste cedo demais e não tiveste tempo de me levar a passear como tanto querias. Era pequena demais, uma criança frágil que protegias, e quando cresci já não estavas cá. Os parques e as praias nunca nos conheceram, nunca nos viram como companheiros de aventuras, nunca souberam o quanto me amaste.

    Vagas são as memórias que tenho, pequenos são os traços da tua face que recordo, mas forte será sempre o sentimento que nos liga, que nutro por ti.

    Hoje estive à porta da tua outra casa. Daquela que faz as lágrimas escorrerem pela face, daquela que leva corações, daquela que nos faz sentir saudades. Senti um vazio gigante, quis contar-te tudo o que tem acontecido, dizer-te que estou bem e que tenho atingido vários dos meus objetivos, mas as palavras escassearam. Talvez não sejam necessárias palavras, tu ouves-me no meu silêncio, tu estás comigo mesmo longe.

    Ainda assim, gostava de puder ouvir-te. Passar de sinais a palavras e entender se estás feliz pelo que me tornei, se me amas da mesma maneira, se pensas em mim tantas ou mais vezes que eu penso em ti, se tens orgulho em mim. Gostava que estivesses aqui, que me tivesses levado pela mão no meu primeiro dia de escola e me fosses buscar no último da faculdade, que conhecesses as pessoas que gosto, que conhecesses o meu sabor de gelado favorito, que me abraçasses aqui e agora.

    Como se pode gostar tanto de alguém como gosto de ti?

    A verdade é que continuo a pensar em ti, e acredito, que de uma maneira ou de outra, me apoias, me agarras e dizes “continua”, e também gostas de mim. Obrigada.

Não te acomodes,

por Patrícia, em 15.03.16

    O silêncio atravessa as paredes. Quero falar, quero gritar. Quero tanto e resta-me tão pouco.

    Não sei por onde ando, vagueio. Percorro os vários caminhos traçados no passado, revejo e corrijo mentalmente todos os erros. No entanto, eles permanecem, não querem ir embora. Se eles soubessem o quanto quero fugir, iam-se embora de livre vontade.

   Olho em redor, observo. Tantas são as fotografias que exibem sorrisos, inúmeras são as recordações que vêm quase que instantaneamente. Ainda assim, onde andam os sorrisos neste instante? Olho em redor, não digo nada, observo.

    Falta-me a voz, só o silêncio ecoa neste quarto vazio. É como se não restasse nada, como se a esperança estivesse desvanecida pelo terror do medo, como se a pessoa outrora corajosa tivesse perdido a capa.

    Duvido.

    Penso.

    Respiro.

    Observo.

    Silencio-me.

    Sussurro, levanto o tom, grito. Grito com uma voz rouca, mas ainda assim, grito. Tem que ser, não me posso dar por vencida. E amanhã? Amanhã gritarei a plenos pulmões: sou capaz.