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Distância.Com.Amor

You must find the place inside yourself where nothing is impossible,

por Patrícia, em 24.07.15

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      Tantas são as palavras que poderiam ser ditas. Tantos rabiscos de textos inacabados, tantas canetas gastas com palavras inacabadas, tantas folhas de caderno soltas. Tantos momentos para contar enquanto a memória escasseia, inúmeras recordações de lembranças que fazem parte da minha vida, da minha bagagem.

    Aprendi com o tempo que as melhores histórias ficam connosco eternamente. Sem julgamentos ou preconceitos desajeitados, sem vírgulas e pontos finais, simplesmente ficam. E com todas essas histórias, ficam na maior parte das vezes, as pessoas. É mais difícil de manter uma pessoa que uma recordação, porque as memórias nunca as apagamos mas as pessoas podem apagar-nos, com ou sem querer.

    A única certeza que temos no presente é que podemos construir um futuro, ou pelo menos tentar. Podemos olhar para trás e aprender com o que já existe, mas temos que embarcar numa nova aventura, o desconhecido. Desta forma, não podemos viver de certezas ou afirmações inadequadas quando tudo aquilo que somos e temos, somos nós próprios. Não podemos viver de ilusões nem de fantasias, mas podemos viver de crenças e paixões, a crença de que o amanhã chegará e irá trazer consigo a paixão de viver.

    Ainda assim, em todos estes momentos de vai-e-vem, são as pessoas que nos rodeiam que nos deixam sonhar. Aceitam-nos tal e qual como somos, sem medos de palavras desmedidas ou vivências anteriores, deixam-nos ser felizes do nosso jeito e feitio. Essas pessoas, tão espontâneas na sua maneira de nos verem, à medida que nos conhecem, descobrem-nos e descobrem-se.

    Tantos são os tipos de pessoas que existem, assim como os amigos. Não conhecemos tudo, vamos vagueando e conhecendo cada vez melhor, mas ainda assim, os amigos são aqueles que nos conhecem numa primeira instância e ficam para sempre. Talvez seja verdade o que se diz do para sempre, existem uns maiores que os outros: os que superam barreiras inquebráveis e os que quase se perdem junto à meta. No entanto, amigos são aqueles que não desistem por mais fracas que sejam as suas forças, são a família que escolhemos.

     Amigos são aqueles que nos olham com olhos de ver. E que nunca nos vejam como nós nos vemos ao espelho.

I admire people who choose smile,

por Patrícia, em 13.07.15

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      Escolhas. Uma palavra tão misteriosa como desajeitada, um misto de pensamentos nem sempre eficazes, um corroer de decisões que tanto nos fascinam como nos destroem.

      Confesso, sou quase tão má a escolher como a jogar futebol, mas como tudo na vida, chega um dia em que tudo muda. Chega o dia que ficar pelo meio caminho não é suficiente, que é necessário optar ainda que seja pelo trilho mais árduo e que todos põem em causa, que temos de confiar em nós e apostar tudo o que temos. E quando esse dia chega, tão temeroso e assustador, as frases positivistas de “tu consegues” não parecem suficientes, bem como os abraços apertados de quem nos protege. Há um dia que tudo muda e temos que deixar o abraço, o conforto e partir, partir para o mundo que escolhemos.

      Jamais saberemos se a nossa escolha é a melhor. Quantas serão as vezes que iremos cair para nos levantarmos de seguida, quantos serão os gritos que irão ficar abafados pela almofada, quanto será o desespero, quanta será a necessidade de tudo isto? A pergunta ficará por aí, assim como ficaram todas as cartas de amor enviadas em tempo de guerra entre namorados, a resposta não chegará e esperar parece ser o destino ideal. Mas será a espera a atitude suficiente? Talvez ser suficiente seja aquilo que nos move para a escolha, uma tentativa exacerbada de chegar a algum lado, da melhor maneira com aquilo que somos.

     Ainda assim, o melhor de quem somos é estabelecido com o que fazemos previamente. São os gestos e os hábitos, as palavras e as habilidades individuais, o que somos e fazemos com os outros que nos definem e constroem. Mas em todos estes aspectos existe uma escolha determinante: ser ou parecer, fazer ou pensar em agir.

     E tantas foram as vezes que pensei em escolher o que sou e faço com aquilo que outrora fui e fiz. Tantos rabiscos e ideias espalhadas por uma casa cheia, somente com um corredor vazio e solitário à espera de ser descoberto.

     O segredo de escolher não é acertar, é idealizar. Certamente que o passado me atrai, gostaria até de mudar um ou outro detalhe, acertar umas contas e anteceder batalhas perdidas, mas nada do que sou e conquistei faria sentido se alguma coisa do meu passado repentinamente se alterasse. Assim, o segredo de escolher não é acertar, é aceitar o que somos e o que temos, é não ter medo da queda desastrosa, é não falhar por não tentar.

(1)

por Patrícia, em 09.07.15

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            Há dias que nos complementam e transformam, tanto pelo lado positivo como pelo lado mais negro. Há dias que nos fazem crer na felicidade de existir, outros em que desistir parece ser a primeira opção. Há dias que nos corroem e sufocam por dentro, dias que um pequeno percalço se torna na nossa maior queda, dias de saudade.

            Ainda assim, talvez seja a saudade a maior arma do amor. E falar de saudade é construir uma linha ténue entre o que se sabe e o que se desconhece, uma vez que a saudade é experienciada de inúmeras formas. O amor, o quente e louco, o que apaixona e emociona, também ele é vivenciado de variadas formas. E nesta complementaridade um tanto ao acaso, a saudade une-se ao amor pelo mesmo que duas pessoas se unem: o sentimento.

            Existem vários tipos de amor. Existem várias pessoas. Existem diferentes pessoas que amamos ao longo da nossa vida, mas só as amamos uma vez, de uma única forma. Engane-se aquele que julga saber falar de amor, engane-se o poeta que escreve juras de amor no meio dos seus sonetos, engane-se quem acredita que só existe um primeiro amor.

            O primeiro amor, tão vulgarmente redundante. A verdade é que existem vários primeiros amores, talvez até mais do que imaginamos. Cada vez que amamos alguém, seja de que tipo for, é pela primeira vez. É como se não existisse passado e o futuro, esse matreiro, é incerto e construído à medida que o tempo avança. É como se o tempo tivesse parado no ali e agora com aquela pessoa, seja quem ela for e quando for.

            A vida é recheada de incertezas. A vida, o amor e a saudade. Por vezes, são as pessoas que consideramos eternas que mais rapidamente se vão embora do nosso abraço apertado, que deixam o amor que construímos e deixam saudade. E com elas, levam a crença de que seria o tal, o primeiro e o do resto da vida, e só fica o sentimento com que amámos.

            Por tudo isto, não podemos confundir a primeira pessoa que amámos com o nosso coração mais tímido, sem preconceitos e sem conhecimentos prévios, com todos os primeiros amores que conhecemos ao longo da vida. No entanto, todos eles se fundamentam na esperança, esperança essa que pode atraiçoar o que pensamos e fazemos, na esperança que durará o tempo que tiver de durar. E se for para sempre, melhor ainda.