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Distância.Com.Amor

I admire people who choose smile,

por Patrícia, em 13.07.15

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      Escolhas. Uma palavra tão misteriosa como desajeitada, um misto de pensamentos nem sempre eficazes, um corroer de decisões que tanto nos fascinam como nos destroem.

      Confesso, sou quase tão má a escolher como a jogar futebol, mas como tudo na vida, chega um dia em que tudo muda. Chega o dia que ficar pelo meio caminho não é suficiente, que é necessário optar ainda que seja pelo trilho mais árduo e que todos põem em causa, que temos de confiar em nós e apostar tudo o que temos. E quando esse dia chega, tão temeroso e assustador, as frases positivistas de “tu consegues” não parecem suficientes, bem como os abraços apertados de quem nos protege. Há um dia que tudo muda e temos que deixar o abraço, o conforto e partir, partir para o mundo que escolhemos.

      Jamais saberemos se a nossa escolha é a melhor. Quantas serão as vezes que iremos cair para nos levantarmos de seguida, quantos serão os gritos que irão ficar abafados pela almofada, quanto será o desespero, quanta será a necessidade de tudo isto? A pergunta ficará por aí, assim como ficaram todas as cartas de amor enviadas em tempo de guerra entre namorados, a resposta não chegará e esperar parece ser o destino ideal. Mas será a espera a atitude suficiente? Talvez ser suficiente seja aquilo que nos move para a escolha, uma tentativa exacerbada de chegar a algum lado, da melhor maneira com aquilo que somos.

     Ainda assim, o melhor de quem somos é estabelecido com o que fazemos previamente. São os gestos e os hábitos, as palavras e as habilidades individuais, o que somos e fazemos com os outros que nos definem e constroem. Mas em todos estes aspectos existe uma escolha determinante: ser ou parecer, fazer ou pensar em agir.

     E tantas foram as vezes que pensei em escolher o que sou e faço com aquilo que outrora fui e fiz. Tantos rabiscos e ideias espalhadas por uma casa cheia, somente com um corredor vazio e solitário à espera de ser descoberto.

     O segredo de escolher não é acertar, é idealizar. Certamente que o passado me atrai, gostaria até de mudar um ou outro detalhe, acertar umas contas e anteceder batalhas perdidas, mas nada do que sou e conquistei faria sentido se alguma coisa do meu passado repentinamente se alterasse. Assim, o segredo de escolher não é acertar, é aceitar o que somos e o que temos, é não ter medo da queda desastrosa, é não falhar por não tentar.

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